domingo, 19 de julho de 2009

Con TEMPO raneidade


Por Raphaela Rodriguez

Em uma linha história, estamos em uma época contemporânea, assim caracterizada, mas não definida, pois suas características são alvo de mudanças e transformações constantes por uma crescente rede de fatores que afirmam o fato.

O desenvolvimento da tecnologia digital, acúmulo e velocidade de informações, bem como a busca cada vez mais abusiva de manipulação dos meios de comunicação, são alguns fatos que caracterizam essa crescente modernidade da época. O corpo como veículo vivo do meio sofre essas influências, e a multiplicidade se torna então sua característica marcante.

O corpo por si só já é comunicação. O corpo organismo, corpo mente, e corpo sociedade, formam um hibridismo perpassando muitas possibilidades, o corpo múltiplo como é caracterizado hoje. Estudar somente o corpo organismo, movimento e atividade anatômica e fisiológica é limitar um campo de informações do tempo e particularidades e de alguma forma ignorar a identidade. As tendências de trabalhos corporais contemporâneas tem buscado agregar esse estudo a uma visão mais ampla, na junção de teorias de se somam interagem e se combinam. O limite então, está procurando saídas de diferentes abordagens.

Na arte, o estranhamento causado por muitas pessoas hoje é produto dessas mudanças. A pesquisa e experimentação, a tolerância de formas e conteúdos nada mais é do que o reflexo imediato do estado atual do mundo. Trabalhar a arte é trabalhar essas questões, abrir perguntas, nem sempre com respostas... Mas é buscar uma relação do corpo à arte, um corpo indivíduo-mente-sociedade, influências, rede de conexões, ramificações e mudanças constantes.

Corpo é a transformação do tempo no espaço em que está inserido. Segundo Mereleau Ponty apud XAVIER, MEYER e TORRES (2005, p. 97), o corpo é:

Visível e móvel, o meu corpo pertence ao número das coisas, é uma delas, está preso na textura do mundo, e sua coesão é a de uma coisa. Mas posto que vê e se move, ele mantém as coisas em seu círculo a sua volta, elas são um seu anexo prolongamento, estão incrustadas na carne, fazem parte de sua definição plena, e o mundo é feito do mesmo estofo do corpo.

Buscar entender o corpo tal como ele é hoje, é mergulhar na contemporaneidade desse processo histórico atual, ampliando a visão humana e suas relações em indivíduo-indivíduo e indivíduo-sociedade.

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